sábado, 11 de setembro de 2010

Alex Kanevsky

terça-feira, 7 de setembro de 2010

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

PHILIP BULLER

domingo, 5 de setembro de 2010

sábado, 4 de setembro de 2010

Cecília Meireles - CANÇÃO MÍNIMA

No mistério do sem-fim
equilibra-se um planeta.


E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
no canteiro uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,


entre o planeta e o sem-fim,
a asa de uma borboleta.

Ed Ruscha

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Zhao Chang - borboletas

Su Dong Po - Sobre a pintura de um ramo florido "Primavera Precoce"

Quem disse que a pintura deve parecer-se com a realidade?
Quem o disse vê com olhos de não entendimento
Quem disse que o poema deve ter um tema?
Quem o disse perde a poesia do poema
Pintura e poesia têm o mesmo fim:
Frescura límpida, arte para além da arte
Os pardais de Bain Lun piam no papel
As flores de Zhao Chang palpitam
Porém o que são ao lado destes rolos
Pensamentos-linhas, manchas-espíritos?
Quem teria pensado que um pontinho vermelho
Provocaria o desabrochar da primavera?

Antonio López García - View of Madrid from the Vallecas Fire Tower

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Alberto de Serpa - Tédio

Há instantes tão longos,
há horas tão monótonas,
há dias tão pesados,
que perdoamos à vida
só porque vai passando...

Ansel Adams- Moon and Half Dome,

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Balthus - Sleeping Girl

Miguel Manso - NA MORTE DA AVÓ

não bastasse a humilhação pública de morrer

espera-se do corpo que cumpra com indiscutível

pompa o intolerável protocolo de ausentar-se


a penosa execução circular e nocturna do velório

a presença inconveniente dos agentes funerários

os adereços lutuosos a obscena maquilhagem


no dia seguinte, o inventário das orações, a concisa

cerimónia (não há muito a dizer, sejamos honestos

e soa até a insulto que se pronuncie o nome de


Lázaro) o caixão é fechado, o dia põe-se bonito

– é quase tão imoral como alguém ter trazido uma

gravata com motivos facetos, uma camisa florida –


depois, em casa, parece que as vozes ressoam como numa

sala a que tivessem subtraído os móveis e houvesse, por isso

a estranheza de uma extensão desprovida, dissemelhante


o avô vai buscar as memórias da infância (por que

razão obscura omite ele as lembranças de casado?) há

na sua voz qualquer coisa de paciente melancolia


como se aceitasse, com constrangedora submissão, que

o tempo não se detenha nunca, que os anos nos empurrem

para um buraco na terra, nos sujeitem a tão bruta descortesia


a prontidão da morte, a ligeireza do tempo, a estupidez

da vida que nunca vai encontrar cura e razão para ela própria

contra tudo isso eu alardeio o poema, antecipo a derrota


( In Santo Súbito, seu último livro )

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

domingo, 29 de agosto de 2010

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Banksy

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

sábado, 21 de agosto de 2010

Paul Éluard - E um sorriso

A noite nunca está completa.
Há sempre, sou eu que o digo,
sou eu que o afirmo,
no fim do desgosto
uma janela aberta,
iluminada,
há sempre um sonho velando,
desejo a matar, fome a satisfazer,
um coração generoso,
uma mão estendida, aberta,
uns olhos atentos,
uma vida, a vida a partilhar.


Tradução A.M.

DAVID GILLANDERS