quinta-feira, 27 de maio de 2010

Cecília Meireles - Humildade

Tanto que fazer!
livros que não se lêem, cartas que não se escrevem,
línguas que não se aprendem,
amor que não se dá,
tudo quanto se esquece.

Amigos entre adeuses,
crianças chorando na tempestade,
cidadãos assinando papéis, papéis, papéis…
até o fim do mundo assinando papéis.

E os pássaros detrás de grades de chuva,
e os mortos em redoma de cânfora.

(E uma canção tão bela!)

Tanto que fazer!
E fizemos apenas isto.
E nunca soubemos quem éramos,
nem para quê.

Gil Heitor Cortesão - Modelo para armar - Piscina

Adriana Varejão - Celacanto provoca maremoto

quarta-feira, 26 de maio de 2010

terça-feira, 25 de maio de 2010

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Javier Salvago - Convém não esquecer

Por este atalho,
a que chamam vida, todos
vamos às apalpadelas

tal como um cego.
Em cinza terminam
todos os fogos.

joaquín risueño - Untitled

domingo, 23 de maio de 2010

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Pedro Mexia - As gavetas

Não deves abrir as gavetas
fechadas: por alguma razão as trancaram,
e teres descoberto agora
a chave é um acaso que podes ignorar.
Dentro das gavetas sabes o que encontras:
mentiras. Muitas mentiras de papel,
fotografias, objectos.
Dentro das gavetas está a imperfeição
do mundo, a inalterável imperfeição,
a mágoa com que repetidamente te desiludes.
As gavetas foram sendo preenchidas
por gente tão fraca como tu
e foram fechadas por alguém mais sábio que tu.
Há um mês ou um século, não importa.

Dennis Wojtkiewicz - Melon Series #34

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Paco Pomet

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Paco Pomet

terça-feira, 18 de maio de 2010

AARON - LE TUNNEL D'OR

Ángel Mateu Charris - El paseante

Casimiro de Brito

Saltei os cinquenta e acabo de entrar
Na via do mestre onde não há via nem
Glória para além do pé que pisa
As águas que passam. E vou com elas
Assim leve nos acasos desta viagem
Sem retorno. Abandonei entre as ervas
Os livros de ouro e as moedas
De prata — o palácio do ser enfim desviado
Das grandes estradas. O brilho das estrelas
Lembra-me que houve uma infância
Indecifrada. Tanto melhor. Saltei os anos —
Libertei-me da casca pouco a pouco
Acumulada. Que mais desejar? Praias
Desertas? Beber com a lua? Ouço a doce
Respiração amada; divido com ela
O belo capital que me resta: estas mãos
Vazias; velas de um corpo que desliza
Entre as folhas do outono caídas no chão.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

domingo, 16 de maio de 2010