Ano após ano estiveste debruçado sobre os livros,
acumulaste em ti mais conhecimentos
do que os que necessitarias para nove dias.
Na hora da verdade
é preciso muito pouco, e esse muito pouco
conhece-o o coração desde sempre.
No Egipto o deus da sabedoria
tinha cabeça de macaco.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
quarta-feira, 5 de maio de 2010
terça-feira, 4 de maio de 2010
WALLACE STEVENS - SEIS PAISAGENS SIGNIFICATIVAS I
Um velho está sentado
À sombra de um pinheiro
Na China.
Vê esporas,
Azuis e brancas,
Na orla da sombra,
Moverem-se ao vento.
A sua barba move-se ao vento.
O pinheiro move-se ao vento.
Assim flui a água
Sobre as algas.
À sombra de um pinheiro
Na China.
Vê esporas,
Azuis e brancas,
Na orla da sombra,
Moverem-se ao vento.
A sua barba move-se ao vento.
O pinheiro move-se ao vento.
Assim flui a água
Sobre as algas.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
domingo, 2 de maio de 2010
Adam Zagajewski - Espelho auto-reflector
No retrovisor vi subitamente
a mole imensa da Catedral de Beauvais;
grandes coisas habitando nas pequenas
por um instante.
a mole imensa da Catedral de Beauvais;
grandes coisas habitando nas pequenas
por um instante.
sábado, 1 de maio de 2010
Javier Salvago - Último retrato da juventude
Faz quase três anos que não escrevo
poemas, abandono-me, apenas leio;
não me cultivo nem me informo. Sinto
dentro de mim uma espécie de vazio
que avança - e não me assusta - como um rio
de lava; ou melhor, como um deserto
que vai ganhando mais e mais terreno
ao calcinado bosque, ontem tão vivo.
Sonho pouco. Desejo o necessário.
Não tenho nada, e nada de extraordinário
espero doravante. Não disfruto
do prazer de viver. Observo a vida
com reserva e distância. Cada dia
me consentem os anos menos fantasias.
poemas, abandono-me, apenas leio;
não me cultivo nem me informo. Sinto
dentro de mim uma espécie de vazio
que avança - e não me assusta - como um rio
de lava; ou melhor, como um deserto
que vai ganhando mais e mais terreno
ao calcinado bosque, ontem tão vivo.
Sonho pouco. Desejo o necessário.
Não tenho nada, e nada de extraordinário
espero doravante. Não disfruto
do prazer de viver. Observo a vida
com reserva e distância. Cada dia
me consentem os anos menos fantasias.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Herberto Helder - Aos Amigos
Amo devagar os amigos que são tristes
com cinco dedos de cada lado.
Os amigos que enlouquecem
e estão sentados,
fechando os olhos,
com os livros atrás a arder
para toda a eternidade.
Não os chamo,
E eles voltam~se profundamente
Dentro do fogo.
- Temos um talento doloroso e obscuro.
Construímos um lugar de silêncio.
De paixão
com cinco dedos de cada lado.
Os amigos que enlouquecem
e estão sentados,
fechando os olhos,
com os livros atrás a arder
para toda a eternidade.
Não os chamo,
E eles voltam~se profundamente
Dentro do fogo.
- Temos um talento doloroso e obscuro.
Construímos um lugar de silêncio.
De paixão
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