Quando desaparecer
hei-de pedir à noite
que me consuma com ela
que me devaste a alma
não quero mais
quero desaparecer na noite
e só de noite consumir-me
quarta-feira, 24 de março de 2010
terça-feira, 23 de março de 2010
Eugénio de Andrade - Respiro o teu corpo
Respiro o teu corpo:
sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.
sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.
segunda-feira, 22 de março de 2010
Fernando Echevarría - Descobriremos o nosso movimento
Descobriremos o nosso movimento
quase uma folha,
ou quase uma pupila
que se inclinasse e só nos desse o tempo
de uma sombra passar e entrar no olvido.
Mas, sobretudo, veremos
pensar-se um ar antigo
que vem ao movimento
quando mover-se nem sequer é escrito.
quase uma folha,
ou quase uma pupila
que se inclinasse e só nos desse o tempo
de uma sombra passar e entrar no olvido.
Mas, sobretudo, veremos
pensar-se um ar antigo
que vem ao movimento
quando mover-se nem sequer é escrito.
domingo, 21 de março de 2010
Sophia de Mello Breyner Andresen - Às Vezes
Às vezes julgo ver nos meus olhos
A promessa de outros seres
Que eu podia ter sido,
Se a vida tivesse sido outra.
Mas dessa fabulosa descoberta
Só me vem o terror e a mágoa
De me sentir sem forma, vaga e incerta
Como a água.
A promessa de outros seres
Que eu podia ter sido,
Se a vida tivesse sido outra.
Mas dessa fabulosa descoberta
Só me vem o terror e a mágoa
De me sentir sem forma, vaga e incerta
Como a água.
sábado, 20 de março de 2010
sexta-feira, 19 de março de 2010
Albert Rafols Casamada - Voz lejana
neblinoso
el sol
de un rosa trémulo
viste las ramitas
de un árbol seco
más allá del cristal
silencio o rumor
de otras notas
claridad lejana
la voz
la voz
qué fino es
su relieve
pero brilla
el sol
de un rosa trémulo
viste las ramitas
de un árbol seco
más allá del cristal
silencio o rumor
de otras notas
claridad lejana
la voz
la voz
qué fino es
su relieve
pero brilla
quinta-feira, 18 de março de 2010
Subscrever:
Mensagens (Atom)










