terça-feira, 22 de setembro de 2009

Andrés Serrano na colecção Lambert

Andrés Serrano

Sigmar Polke - Primavera

ANTÓNIO MACHADO

Caminhante, são teus rastos
o caminho, e nada mais;
caminhante, não há caminho,
faz-se caminho ao andar.
Ao andar faz-se o caminho,
e ao olhar-se para trás
vê-se a senda que jamais
se há-de voltar a pisar.
Caminhante, não há caminho,
somente sulcos no mar.

Andante of Antonio vivaldi - Yo Yo Ma & Bobby McFerrin

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Edward Weston - Shell

Peter Blake - The Meeting or Have a Nice Day Mr Hockney

Edgar Degas - The Rape

Lisa Gerrard - Come Tenderness

David Salle - Old Bottles

Kaváfis - Quanto puderes

Mesmo que não possas fazer a vida como a queres,
isto ao menos tenta
quanto puderes: não a desbarates
nos muitos contactos do mundo,
na agitação e nas conversas.

Não a desbarates arrastando­‑a,
e mudando­‑a e expondo­‑a
ao quotidiano absurdo
das relações e das companhias
até se tornar um estranho importuno.

domingo, 20 de setembro de 2009

Caetano Veloso - Sonhos

Foto de tamara de lempicka

Tamara DE LEMPICKA - The telephone II

Kaváfis - Segredos

De tudo o que fiz e tudo que disse
não procurem descobrir quem fui.
Havia uma barreira que transformava
minhas ações e meu modo de vida.
Havia uma barreira que me parava
nas muitas vezes em que ia contar.
Das minhas ações mais insignificantes
e meus escritos mais velados –
só de lá me sentirão.
Mas quiçá não valha à pena gastar
tanto cuidado e tanto esforço para me conhecerem.
No futuro – numa sociedade mais perfeita –
algum outro talhado como eu
decerto aparecerá e livremente fará.
(Kaváfis, 2006, 19)

Gotan Project - Confidences

sábado, 19 de setembro de 2009

John Surman - Respiro

Sobre Pedro Saraiva

Pela primeira vez digito um texto no meu blog pois pretendia que apenas funcionasse como um caderno de colagens das coisas que gosto.

Abro apenas uma excepção por um acto de amizade ao Pedro e a sua família.

Conheci o Pedro quando ingressamos os dois nas Belas Artes de Lisboa e por um acaso daqueles felizes fui viver para o Algueirão para casa de meus tios onde o Pedro vivia com os pais. Estamos em 1969, tempo em que os jovens acreditavam na partilha, na entreajuda e na discussão livre das ideias.

Rapidamente, caso raro em mim, ficámos amigos e comecei a ser recebido na casa de seus pais com enorme amizade e consideração. Vindo de um ambiente provinciano foi privilégio ter acesso ao atelier de seu pai mestre Domingos Saraiva que tanto me ensinou, muito mais do que nas Belas Artes de então. Mestre Domingos Saraiva faz este ano o seu centenário, digo faz porque acredito que as pessoas só morrem quando nos esquecemos delas e eu não me esqueço dele – sempre o encarei como um exemplo, principalmente na sua imensa alegria de viver – muito mais jovem do que eu com 18 anos na altura.

Muitas vezes trabalhamos lado a lado trocando ideias ao ponto de Mestre Domingos Saraiva nos ter chamado a atenção que as coisas que fazíamos estavam a ficar muito parecidas. Coisa que ainda hoje acredito não seria bem assim porque ao contrário do Pedro sempre os meus trabalhos exigiam bem mais esforço porque me faltavam os conhecimentos que ele já tinha obtido do pai e tenho menos habilidade manual.

Mas desse tempo também na verdade, apesar destes anos passados, ainda existem vestígios nos dois ao nível das cores que utilizamos.

Assim é-me impossível ter distanciamento para analisar o percurso de Pedro Saraiva…apenas posso afirmar que é uma das pessoas mais dotadas para as Artes Plásticas que encontrei e que será certamente um exemplo para os seus alunos da nossa antiga escola (hoje Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa) onde é hoje professor.

Para terminar não foi por acaso que o meu filho se chama Pedro,

JC

Salteiro - sobre Pedro Saraiva

Sobre o ensino artístico é trivial dizer-se que aprendemos com os professores e com os colegas da nossa geração. O Pedro foi o colega que suportou, durante muitos anos em fins-de-semana contínuos, conversas à volta dos meus desenhos, pinturas e ideias que incansavelmente eu acarretava até ao seu atelier em pastas improvisadas. Foram momentos de grande produtividade e criatividade, num saudável ambiente de partilhas que se prolongavam pela noite dentro. Obrigado Pedro!

Neste momento, e em presença de mais uma deslumbrante exposição de Pedro Saraiva intitulada Gabinete > Codina só sou capaz de manifestar o meu enorme respeito por toda a sua obra e pela coerência de todo o seu processo criativo.

Discreto e simples, mas eficaz na técnica e na comunicação.

Pedro Saraiva - gabinete linares