domingo, 13 de setembro de 2009

José Catrola - Calla

Ricardo Paulouro - Foto de Ramos Rosa

Ramos Rosa - Não posso adiar o amor para outro século

Não posso adiar o amor para outro século
Não posso
Ainda que o grito sufoque na garganta
Ainda que o ódio estale e crepite e arda
Sob montanhas cinzentas
E montanhas cinzentas

Não posso adiar este abraço
Que é uma arma de dois gumes
Amor e ódio

Não posso adiar
Ainda que a noite pese séculos sobre as costas
E a aurora indecisa demore
Não posso adiar para outro século a minha vida
Nem o meu amor
Nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração

Madeleine Peyroux - Don't cry baby (live)


MAGGIE HASBROUCK - OF WISHING TO FLY - PHOTOENCAUSTIC

MAGGIE HASBROUCK - THRESHOLD - PHOTOENCAUSTIC

sábado, 12 de setembro de 2009

Cavandoli - La linea Sexilinea

Sidónio Muralha - pago o preço

“Parar. Parar não paro.
Esquecer. Esquecer não esqueço.
Se car
ácter custa caro

Pago o preço"


Lhasa de Sela - Con toda palabra

Nuno Júdice - Um amor

Aproximei-me de ti; e tu, pegando-me na mão,
puxaste-me para os teus olhos
transparentes como o fundo do mar para os afogados. Depois, na rua,
ainda apanhámos o crepúsculo.
As luzes acendiam-se nos autocarros; um ar
diferente inundava a cidade. Sentei-me
nos degraus do cais, em silêncio.
Lembro-me do som dos teus passos,
uma respiração apressada, ou um princípio de lágrimas,
e a tua figura luminosa atravessando a praça
até desaparecer. Ainda ali fiquei algum tempo, isto é,
o tempo suficiente para me aperceber de que, sem estares ali,
continuavas ao meu lado. E ainda hoje me acompanha
essa doente sensação que
me deixaste como amada
recordação.

Nuno Júdice, in "A Partilha dos Mitos"

Antonio López García - Desenho

Conozca El Artista: Antonio López García

Carlos Froufe - Retrato (Luanda-1975)

Fátima Condeço - A pera

Purcell - Music for the Funeral of Queen Mary (Funeral Sentences)

Frase do Professor Agostinho da Silva

"O homem não nasceu para trabalhar, mas para criar."

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Yousuf Karsh - Henry Moore

Henry Moore

Carlos Froufe

José Luís Peixoto - poema sobre a família

na hora de pôr a mesa, éramos cinco:
o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs
e eu, depois, a minha irmã mais velha
casou-se. depois, a minha irmã mais nova
casou-se. depois, o meu pai morreu. hoje,
na hora de pôr a mesa, somos cinco,
menos a minha irmã mais velha que está
na casa dela, menos a minha irmã mais
nova que está na casa dela, menos o meu
pai, menos a minha mãe viúva. cada um
deles é um lugar vazio nesta mesa onde
como sozinho. mas irão estar sempre aqui.
na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco.
enquanto um de nós estiver vivo, seremos
sempre cinco.

José Luís Peixoto, A Criança em Ruínas