sábado, 12 de setembro de 2009

Cavandoli - La linea Sexilinea

Sidónio Muralha - pago o preço

“Parar. Parar não paro.
Esquecer. Esquecer não esqueço.
Se car
ácter custa caro

Pago o preço"


Lhasa de Sela - Con toda palabra

Nuno Júdice - Um amor

Aproximei-me de ti; e tu, pegando-me na mão,
puxaste-me para os teus olhos
transparentes como o fundo do mar para os afogados. Depois, na rua,
ainda apanhámos o crepúsculo.
As luzes acendiam-se nos autocarros; um ar
diferente inundava a cidade. Sentei-me
nos degraus do cais, em silêncio.
Lembro-me do som dos teus passos,
uma respiração apressada, ou um princípio de lágrimas,
e a tua figura luminosa atravessando a praça
até desaparecer. Ainda ali fiquei algum tempo, isto é,
o tempo suficiente para me aperceber de que, sem estares ali,
continuavas ao meu lado. E ainda hoje me acompanha
essa doente sensação que
me deixaste como amada
recordação.

Nuno Júdice, in "A Partilha dos Mitos"

Antonio López García - Desenho

Conozca El Artista: Antonio López García

Carlos Froufe - Retrato (Luanda-1975)

Fátima Condeço - A pera

Purcell - Music for the Funeral of Queen Mary (Funeral Sentences)

Frase do Professor Agostinho da Silva

"O homem não nasceu para trabalhar, mas para criar."

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Yousuf Karsh - Henry Moore

Henry Moore

Carlos Froufe

José Luís Peixoto - poema sobre a família

na hora de pôr a mesa, éramos cinco:
o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs
e eu, depois, a minha irmã mais velha
casou-se. depois, a minha irmã mais nova
casou-se. depois, o meu pai morreu. hoje,
na hora de pôr a mesa, somos cinco,
menos a minha irmã mais velha que está
na casa dela, menos a minha irmã mais
nova que está na casa dela, menos o meu
pai, menos a minha mãe viúva. cada um
deles é um lugar vazio nesta mesa onde
como sozinho. mas irão estar sempre aqui.
na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco.
enquanto um de nós estiver vivo, seremos
sempre cinco.

José Luís Peixoto, A Criança em Ruínas

Gerhard Richter Candle, 1982 Oil on canvas

Carlos Drummond de Andrade - Precisa-se de um amigo

Não precisa ser homem, basta ser humano, ter sentimentos.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem imprescindível, que seja de segunda mão.

Não é preciso que seja puro, ou todo impuro, mas não deve ser vulgar.

Pode já ter sido enganado ( todos os amigos são enganados).

Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários.

Deve gostar de crianças e lastimar aquelas que não puderam nascer.

Deve amar o próximo e respeitar a dor que todos levam consigo.

Tem que gostar de poesia, dos pássaros, do por do sol e do canto dos ventos.

E seu principal objetivo de ser o de ser amigo.

Precisa-se de um amigo que faça a vida valer a pena, não porque a vida é bela, mas por já se ter um amigo.

Precisa-se de um amigo que nos bata no ombro, sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo.

Precisa-se de um amigo para ter-se a consciência de que ainda se vive.

Jan Garbarek - Hasta Siempre (Puebla)

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Jacques Loussier trio plays ErikSatie - Gymnopedie N1

ERIC FISCHL - Holy Man (serie india)

KONSTANDINOS KAVAFIS - Quando Elas Despertam

Procura guardá-las, Poeta,

por poucas que sejam de guardar,

do teu amar as visões.

Coloca-as no meio ocultas nas tuas frases.

Procura detê-las, Poeta,

quando em tua cabeça elas despertam,

de noite ou na luz crua do meio-dia.



KONSTANDINOS KAVAFIS
tradução deJorge de Sena