quinta-feira, 10 de setembro de 2009
KONSTANDINOS KAVAFIS - Quando Elas Despertam
Procura guardá-las, Poeta,
por poucas que sejam de guardar,
do teu amar as visões.
Coloca-as no meio ocultas nas tuas frases.
Procura detê-las, Poeta,
quando em tua cabeça elas despertam,
de noite ou na luz crua do meio-dia.
KONSTANDINOS KAVAFIS
tradução deJorge de Sena
por poucas que sejam de guardar,
do teu amar as visões.
Coloca-as no meio ocultas nas tuas frases.
Procura detê-las, Poeta,
quando em tua cabeça elas despertam,
de noite ou na luz crua do meio-dia.
KONSTANDINOS KAVAFIS
tradução deJorge de Sena
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
terça-feira, 8 de setembro de 2009
João Aguardela
Faleceu a 18 de Janeiro de 2009 em Lisboa.
...
Vocalista, líder e fundador dos Sitiados, que fizeram enorme furor nos anos noventa, Aguardela foi também o mentor de projectos como Megafone (quatro discos de um trabalho muito pessoal, que cruza a recolha de música tradicional portuguesa com sonoridades electrónicas), Linha da Frente (formado por vocalistas de várias bandas nacionais interpretando textos de poetas portugueses) e A Naifa, o seu mais recente projecto com Luís Varatojo, com três álbuns editados e dezenas de concertos aclamados pela crítica e pelo público.
...
Vítima de cancro, morreu no Hospital da Luz, aos 39 anos. Deixa uma obra invejável e saudade à família e amigos. Como escreveu o João, «os dias sem ti/ são todos iguais/ são dias sem brilho/ são dias a mais».
Ricardo Alexandre, amigo do João.
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Vocalista, líder e fundador dos Sitiados, que fizeram enorme furor nos anos noventa, Aguardela foi também o mentor de projectos como Megafone (quatro discos de um trabalho muito pessoal, que cruza a recolha de música tradicional portuguesa com sonoridades electrónicas), Linha da Frente (formado por vocalistas de várias bandas nacionais interpretando textos de poetas portugueses) e A Naifa, o seu mais recente projecto com Luís Varatojo, com três álbuns editados e dezenas de concertos aclamados pela crítica e pelo público.
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Vítima de cancro, morreu no Hospital da Luz, aos 39 anos. Deixa uma obra invejável e saudade à família e amigos. Como escreveu o João, «os dias sem ti/ são todos iguais/ são dias sem brilho/ são dias a mais».
Ricardo Alexandre, amigo do João.
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Mourão-Ferreira, David (1927-1996) - Litania para o Natal de 1967
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
num sótão num porão numa cave inundada
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
dentro de um foguetão reduzido a sucata
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
numa casa de Hanói ontem bombardeada
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
num presépio de lama e de sangue e de cisco
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
para ter amanhã a suspeita que existe
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
tem no ano dois mil a idade de Cristo
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
vê-lo-emos depois de chicote no templo
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
e anda já um terror no látego do vento
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
para nos pedir contas do nosso tempo
num sótão num porão numa cave inundada
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
dentro de um foguetão reduzido a sucata
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
numa casa de Hanói ontem bombardeada
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
num presépio de lama e de sangue e de cisco
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
para ter amanhã a suspeita que existe
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
tem no ano dois mil a idade de Cristo
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
vê-lo-emos depois de chicote no templo
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
e anda já um terror no látego do vento
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
para nos pedir contas do nosso tempo
domingo, 6 de setembro de 2009
Miguel Manso - O PREC EM 2008
o deus Silêncio ostenta as Inumeráveis
águas nesta apertada livraria de Lisboa
também ainda o primeiro título (poesia) de Manuel
António Pina em ano de revolução que
nesse tempo eram mesmo
a sério as revoluções e podíamos acrescentar-lhes pela rua
o nosso carme as madrugadas flores
agora um amigo diz-me: “esta
revolução não dá um passo!”
concedo, mas não desisto
incorro em certos delicados actos de guerrilha
por exemplo deixo poemas em cafés ou em pequenas
livrarias que ainda apoiam em segredo esta causa
revolucionária
depois mando as coordenadas sigilosas à amada
que no dia seguinte quase sempre
pela tarde os vai buscar
Miguel Manso nasceu em Santarém em 1979 e é natural de Almeirim
Pintor João Vieira morre aos 74 anos
Pintor João Vieira morre aos 74 anos
Morreu ontem, aos 74 anos, o pintor João Vieira, pai do músico Manuel João Vieira e conhecido como fundador do grupo KWY, a que pertenceram artistas plásticos como René Bertholo, Christo, Jan Voss ou José Escada.
Nascido em Vidago, Trás-os--Montes, a 4 de Outubro de 1934, estudou pintura na Escola Superior de Belas Artes, Lisboa, mas não foi além dos dois primeiros anos, desistindo do curso para prosseguir uma carreira promissora. Frequentou o Café Gelo, politicamente conotado com a oposição ao regime de Salazar e frequentado por artistas do movimento Surrealista.
Em 1957 partiu para Paris com uma bolsa da Gulbenkian para estudar pintura sob a orientação de Arpad Szènes, marido da portuguesa Maria Helena Vieira da Silva. Ligado ao teatro (na década de 60 trabalhou como cenógrafo) João Vieira realizou inúmeras exposições individuais e preparava uma exposição retrospectiva para a Cordoaria Nacional. Não resistiu a uma operação ao coração e morreu ontem no Hospital de Santa Marta. O seu corpo está no Palácio das Galveias e parte para o cemitério do Alto de São João, onde será cremado às 17h30.
Ana Maria Ribeiro
(correio da manhã)
Morreu ontem, aos 74 anos, o pintor João Vieira, pai do músico Manuel João Vieira e conhecido como fundador do grupo KWY, a que pertenceram artistas plásticos como René Bertholo, Christo, Jan Voss ou José Escada.
Nascido em Vidago, Trás-os--Montes, a 4 de Outubro de 1934, estudou pintura na Escola Superior de Belas Artes, Lisboa, mas não foi além dos dois primeiros anos, desistindo do curso para prosseguir uma carreira promissora. Frequentou o Café Gelo, politicamente conotado com a oposição ao regime de Salazar e frequentado por artistas do movimento Surrealista.
Em 1957 partiu para Paris com uma bolsa da Gulbenkian para estudar pintura sob a orientação de Arpad Szènes, marido da portuguesa Maria Helena Vieira da Silva. Ligado ao teatro (na década de 60 trabalhou como cenógrafo) João Vieira realizou inúmeras exposições individuais e preparava uma exposição retrospectiva para a Cordoaria Nacional. Não resistiu a uma operação ao coração e morreu ontem no Hospital de Santa Marta. O seu corpo está no Palácio das Galveias e parte para o cemitério do Alto de São João, onde será cremado às 17h30.
Ana Maria Ribeiro
(correio da manhã)
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