quarta-feira, 9 de setembro de 2009

terça-feira, 8 de setembro de 2009

HARRY PAUL ALLY

HARRY PAUL ALLY FIGURE 19 MIXED MEDIA ON CANVAS

João Aguardela

Faleceu a 18 de Janeiro de 2009 em Lisboa.
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Vocalista, líder e fundador dos Sitiados, que fizeram enorme furor nos anos noventa, Aguardela foi também o mentor de projectos como Megafone (quatro discos de um trabalho muito pessoal, que cruza a recolha de música tradicional portuguesa com sonoridades electrónicas), Linha da Frente (formado por vocalistas de várias bandas nacionais interpretando textos de poetas portugueses) e A Naifa, o seu mais recente projecto com Luís Varatojo, com três álbuns editados e dezenas de concertos aclamados pela crítica e pelo público.
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Vítima de cancro, morreu no Hospital da Luz, aos 39 anos. Deixa uma obra invejável e saudade à família e amigos. Como escreveu o João, «os dias sem ti/ são todos iguais/ são dias sem brilho/ são dias a mais».

Ricardo Alexandre, amigo do João.

A NAIFA- "A música"

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Artemisia Gentileschi, Auto-retrato como alegoria à pintura, 1630

Franco Battiato- L'ombra Della Luce

Jorge Pinheiro

Povera Patria, de Franco Battiato

Mourão-Ferreira, David (1927-1996) - Litania para o Natal de 1967

Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
num sótão num porão numa cave inundada
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
dentro de um foguetão reduzido a sucata
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
numa casa de Hanói ontem bombardeada

Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
num presépio de lama e de sangue e de cisco
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
para ter amanhã a suspeita que existe
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
tem no ano dois mil a idade de Cristo

Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
vê-lo-emos depois de chicote no templo
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
e anda já um terror no látego do vento
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
para nos pedir contas do nosso tempo

domingo, 6 de setembro de 2009

Miguel Manso - O PREC EM 2008

o deus Silêncio ostenta as Inumeráveis
águas nesta apertada livraria de Lisboa
também ainda o primeiro título (poesia) de Manuel
António Pina em ano de revolução que

nesse tempo eram mesmo
a sério as revoluções e podíamos acrescentar-lhes pela rua
o nosso carme as madrugadas flores

agora um amigo diz-me: “esta
revolução não dá um passo!”

concedo, mas não desisto

incorro em certos delicados actos de guerrilha
por exemplo deixo poemas em cafés ou em pequenas
livrarias que ainda apoiam em segredo esta causa

revolucionária
depois mando as coordenadas sigilosas à amada
que no dia seguinte quase sempre
pela tarde os vai buscar

[in Quando escreve descalça-se, Trama, 2008]

Miguel Manso nasceu em Santarém em 1979 e é natural de Almeirim

Carmen Habanera by Bobby Mc Ferrin & Aziza Mustafa Zadeh

Nick Cave - Into My Arms

João Vieira - pintura

Pintor João Vieira morre aos 74 anos

Pintor João Vieira morre aos 74 anos
Morreu ontem, aos 74 anos, o pintor João Vieira, pai do músico Manuel João Vieira e conhecido como fundador do grupo KWY, a que pertenceram artistas plásticos como René Bertholo, Christo, Jan Voss ou José Escada.

Nascido em Vidago, Trás-os--Montes, a 4 de Outubro de 1934, estudou pintura na Escola Superior de Belas Artes, Lisboa, mas não foi além dos dois primeiros anos, desistindo do curso para prosseguir uma carreira promissora. Frequentou o Café Gelo, politicamente conotado com a oposição ao regime de Salazar e frequentado por artistas do movimento Surrealista.

Em 1957 partiu para Paris com uma bolsa da Gulbenkian para estudar pintura sob a orientação de Arpad Szènes, marido da portuguesa Maria Helena Vieira da Silva. Ligado ao teatro (na década de 60 trabalhou como cenógrafo) João Vieira realizou inúmeras exposições individuais e preparava uma exposição retrospectiva para a Cordoaria Nacional. Não resistiu a uma operação ao coração e morreu ontem no Hospital de Santa Marta. O seu corpo está no Palácio das Galveias e parte para o cemitério do Alto de São João, onde será cremado às 17h30.
Ana Maria Ribeiro
(correio da manhã)

Tony Scherman - napoleon The sedution of France

sábado, 5 de setembro de 2009

Esbjörn Svensson Trio

José Régio - Cântico negro

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!