quinta-feira, 15 de outubro de 2009

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Orlando Neves - Pandora

De repente,
o corpo da mulher fulgura,
pupila de deus,
punhal ou bico,
sede que chama.
Pára em mim e deslumbra
— nula possibilidade
da lucidez.

in "Lamentação em Cáucaso"

Portrait de Madame Allan Bott - Tamara de Lempicka

Foto de tamara lempicka

Dido - Here With Me (1999 version)

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Robert Doisneau

Cecília Meireles - Motivo Da Rosa

Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.
Rosas verá, só de cinzas franzidas,
mortas, intactas pelo teu jardim.
Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.
E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.

Malcolm Morley

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

José Catrola - s/titulo

Edward Ruscha - Pay nothing

Águas de Março - Tom Jobim e Elis Regina

Cecília Meireles : O olho

O Olho é uma espécie de globo,
é um pequeno planeta
com pinturas do lado de fora.
Muitas pinturas:
azuis, verdes, amarelas.
É um globo brilhante:
parece cristal,
é como um aquário com plantas
finamente desenhadas: algas, sargaços,
miniaturas marinhas, areias, rochas,
naufrágios e peixes de ouro.

Mas por dentro há outras pinturas,
que não se vêem:
umas são imagens do mundo,
outras são inventadas.

O Olho é um teatro por dentro.
E às vezes, sejam actores, sejam cenas,
e às vezes, sejam imagens, sejam ausências,
formam, no Olho, lágrimas.