domingo, 15 de novembro de 2009

sábado, 14 de novembro de 2009

Francisco de Zurbarán

Anthony Scullion

Al Berto

Nomeio constelações uso-as
para me guiarem no receio das noites
escavo corpos na flexibilidade das sombras
atravesso a manhã e ponho a descoberto
a casa onde a infância secou

o olhar desce aos gestos inacabados
satura-os de jovens lágrimas de resinas
e o susto da criança que fui reaviva
um pouco de alegria no coração

Vigílias
Assírio & Alvim, 2004

Kathleen Weich

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Sophia de Mello Breyner - A Forma Justa

Sei que seria possível construir o mundo justo
As cidades poderiam ser claras e lavadas
Pelo canto dos espaços e das fontes
O céu o mar e a terra estão prontos
A saciar a nossa fome do terrestre
A terra onde estamos — se ninguém atraiçoasse — proporia
Cada dia a cada um a liberdade e o reino
— Na concha na flor no homem e no fruto
Se nada adoecer a própria forma é justa
E no todo se integra como palavra em verso
Sei que seria possível construir a forma justa
De uma cidade humana que fosse
Fiel à perfeição do universo

Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco
E este é meu ofício de poeta para a reconstrução do mundo

in "O Nome das Coisas"

Miquel Barceló

Michel Godard serpent solo with Rabih Abou Khalil

Sebastiao Salgado - The Sand Sea in Namibia

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Joan Fontcuberta - Cascallus Ferragosus

Joan Fontcuberta

Joan Fontcuberta - Lavandula Augustifolia

Joan Fontcuberta - Herbarium (1985)

Nesta série, Fontcuberta, de acordo com os cânones tradicionais de representação dos catálogos de botânica, faz um registo detalhado de um número de plantas que não existem… Na verdade, os exemplares que nos mostra, alguns com nomes pseudo- científicos tão audazes como rasputina ecléctica, lavandula angustifolia, braohypoda frustata, erectus pseudospinosus o cornus impatiens, são na realidade modelos desenvolvidos principalmente com materiais de desperdício. Essa farsa é dificilmente descoberta pelo espectador, pelo menos à primeira vista, para a qual contribuem não só a perfeição dos modelos falsos, mas, principalmente, o estilo da imagem, que evoca claramente a própria objectividade científica das imagens do livros de botânica, objectividade com base na apresentação dos motivos de maneira frontal, sem distorção, com um fundo neutro e iluminação difusa que permite a valorização do detalhe e textura de toda a superfície da planta. Então, ao conduzir o espectador nesse código de reconhecimento científico, fá-lo cair na armadilha e vergonha de ter de aceitar que não interpretou as imagens com base no que viu, mas no que sabe, com base nas crença ingénua de que a fotografia não pode mentir.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Francisco José Viegas

Desenha, sobre um mapa onde as ilhas possam flutuar
e as brancas penínsulas se abandonem as aves,
a incerteza do maior amor ou a tranquila

oscilação dos barcos nas enseadas onde o Inverno
pode adormecer. Na solidão, na noite, não demores
o tempo entre os anéis, os dedos toca sempre
esses despojos de antigas navegações.

Por isso, nas horas mais tranquilas, entre falésias,
dedico-me a essa ocupação de recolher o que as marés
trazem as praias, como se fosse ao coração.

Cole Thompson

Turner

Angelique Beauvence - How deep is the ocean

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Nuno Júdice - CHUVA

Chove como sempre. E,
como sempre que chove,
as pessoas abrigam-se
(as que não estavam à
espera que chovesse);
ou abrem, simplesmente,
o chapéu-de-chuva – de
preferência com fecho
automático. Porque, quando
chove, todos temos de
fazer alguma coisa: até
nós, que estamos dentro
de casa. Vão, uns, até
à janela, comentando:
‹‹Que Inverno!››; sentam-se,
outros, com um papel
à frente: e escrevem
um poema, como este.

Eric Fischl - Corrida in Ronda 6

GUILLERMO PÉREZ VILLALTA

domingo, 8 de novembro de 2009

Cecília Meireles - Apresentação

Aqui está minha vida — esta areia tão clara
com desenhos de andar dedicados ao vento.

Aqui está minha voz — esta concha vazia,
sombra de som curtindo o seu próprio lamento.

Aqui está minha dor — este coral quebrado,
sobrevivendo ao seu patético momento.

Aqui está minha herança — este mar solitário,
que de um lado era amor e, do outro, esquecimento.



in 'Retrato Natural'

Uma lição de VIDA ...

Chet Baker - My Funny Valentine

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

SEBASTIÃO SALGADO - MAZAR-E-SHARIF, AFGHANISTAN

Sidónio Muralha - Os olhos das crianças

Atrás dos muros altos com garrafas partidas
bem para trás das grades do silêncio imposto
as crianças de olhos de espanto e de medo transidas
as crianças vendidas alugadas perseguidas
olham os poetas com lágrimas no rosto.

Olham os poetas as crianças das vielas
mas não pedem cançonetas mas não pedem baladas
o que lelas pedem é que gritemos por elas
as crianças sem livros sem ternura sem janelas
as crianças dos versos que são como pedradas.

Rubens - retrato do filho

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

AUGUSTO DE CAMPOS - Poema

A Naifa - Monotone

Lucian Freud

Balthus

Vermeer

terça-feira, 3 de novembro de 2009

José Catrola - S/ titulo

Daniel Jonas - PECADO CAPITAL

A Vitória de Samotrácia
é mais ou menos a minha história
sentimental: tinham todas um corpo
e asas até
mas pouca cabeça.

Mathew Reichertz

Manuel Vilariño - Foto

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Tom Waits - Innocent when you dream

Helmuth Wagner - Turbilhão

Eduardo Naranjo

David Mourão Ferreira - Nada garante

Nada garante que tu existas
Não acredito que tu existas

Só necessito que tu existas

.

.

.

domingo, 1 de novembro de 2009

Fátima Condeço - Os anjos não têm costas

celmins (pintura)

Me gustas cuando callas (Pablo Neruda)

Me gustas cuando callas (Pablo Neruda)

Me gustas cuando callas porque estás como ausente,
y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.
Parece que los ojos se te hubieran volado
y parece que un beso te cerrara la boca.

Como todas las cosas están llenas de mi alma
emerges de las cosas, llena del alma mía.
Mariposa de sueño, te pareces a mi alma,
y te pareces a la palabra melancolía.

Me gustas cuando callas y estás como distante.
Y estás como quejándote, mariposa en arrullo.
Y me oyes desde lejos, y mi voz no te alcanza:
déjame que me calle con el silencio tuyo.

Déjame que te hable también con tu silencio
claro como una lámpara, simple como un anillo.
Eres como la noche, callada y constelada.
Tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo.

Me gustas cuando callas porque estás como ausente.
Distante y dolorosa como si hubieras muerto.
Una palabra entonces, una sonrisa bastan.
Y estoy alegre, alegre de que no sea cierto.

sábado, 31 de outubro de 2009

PierreGonnord

António Osório - Sonho

Gostaria me sonhasses
vento sobre flor;
espiga de outro sono,
bolbo de outra vida.


Gostaria me encontrasses
ave caída;
e lhe desses depois
o voo de outros séculos.

PIZZI CANNELLA - Oro,anima sera d'inverno

Antony and the Johnsons-You Are My Sister

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Enrique Bunbury - Canto el mismo dolor

Enrique Bunbury - Canto el mismo dolor (poema)

Canto porque me levanto siempre con las mismas penas,
con las heridas abiertas que siguen sin cicatrizar.
Vago por las veredas, por desiertos, por la selva,
surcando los anchos mares, hacia ningún lugar.

Canto porque me canso de dar explicaciones,
no tengo soluciones, ¿para qué tanto preguntar?
Salto de cama en cama, de boca a boca, de falda en falda.
No vuelvo por donde vine, nunca miro hacia atrás.

Y no hay mejor ni peor, pues con la gente que tropiezo,
sufren del mismo dolor, están igual, el mismo dolor.
No hay mejor ni peor, si estás quieto o en movimiento,
sufres el mismo dolor, estás igual, el mismo dolor.

Canto porque me harto de lugares concurridos,
de esquemas aburridos para conseguir seguridad.
Parto de aquí a otro lado, crías cuervos, y te comen los ojos luego.
Canto porque me levanto, siempre con las mismas penas.

Y no hay mejor ni peor, pues con la gente que tropiezo,
sufren del mismo dolor, están igual, el mismo dolor.
No hay mejor ni peor, si estás quieto o en movimiento,
sufres el mismo dolor, estás igual, el mismo dolor.

Juan Muñoz - Conversation Piece

Francis Bacon - cabeça

Atelier de Francis Bacon

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Mario Quintana - Das utopias

Se as coisas são intangíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!

(Espelho Mágico)

Martin Cooper - Feather

JOHN CURRIN - Rippowam

RACHEL WHITEREAD - Untitled (Hive) I